Masterarbeit, 2010
340 Seiten, Note: 1,0
Introdução geral
Capítulo 1
Configuração da violência
Introdução
1.1. Estrutura psico-antropológica da violência
1.2. Colonização como gênese da violência estrutural
1.3. Violência em torno de mercado e lucro: o capitalismo tardio no Brasil
1.4. Configuração da violência baiana
Capítulo 2
Sistematização de narrativas de dor
Introdução
2.1. Fenômeno da violência
2.1.1. Violência policial
2.1.2. Narcotráfico
2.1.3. Falta da estrutura familiar
2.2. Ausência de Justiça e de autodefesa
2.2.1. Vista pela “mulher pobre, preta, já velha, mas direita”
2.2.2. Na política
2.2.3. Autodefesa
2.3. Justiça de Deus – tarda, mas não falha
2.3.1. Fé em Deus
2.3.2. Apoio da comunidade
2.3.3. Sujeitos de esperança
Capítulo 3
Elementos para uma Teologia da Esperança contextualizada
Introdução
3.1. A partir da memória
3.2. A partir da realidade
3.3. A partir da utopia do Reino
Capítulo 4
Trabalhar o luto, caminhar na esperança
Introdução
4.1. Intensificar a escuta
4.2. Ritualizar a perda
4.3. Horizontes de luta
À guisa de conclusão
Esta pesquisa investiga o fenômeno da violência urbana na cidade de Salvador/Bahia, focando na experiência traumática de mães que perderam seus filhos por assassinato (denominadas na obra como "mães órfãs"). O objetivo central é analisar a complexidade desse cenário de violência e articular uma proposta de ação pastoral que ofereça acolhimento, promova a justiça e fortaleça a esperança dessas mulheres, transformando a dor da perda em um caminho de ressignificação e construção de um Reino de Deus mais justo.
1.1. Estrutura psico-antropológica da violência
Há uma falta de consenso sobre a definição de violência. Alguns autores se restringem à violência física, descrevendo o uso ilícito da força física, e, entre eles, há alguns poucos que, até talvez, incluem o uso legítimo da força pela polícia e pelo exército. Outros veem em toda miséria certo tipo de violência: desde a fome até todos os atos de homicídio. De fato, estes autores identificam toda violação da pessoa na sua identidade, nos seus direitos e no seu corpo como violência. A complexidade da violência já se revela na diversidade de definições. O termo é derivado do latim violentia e vis que significa a aplicação de força e de vigor contra qualquer coisa ou ente. Os termos “homicídio”, “etnocídio” e “genocídio” descrevem respectivamente assassinatos de indivíduos, de povos ou de massas no contexto de massacres, de conflitos sangrentos e de guerras. Nos últimos anos surgiriam neologismos como, por exemplo, o “feminicídio”, que se refere aos assassinatos de mulheres. Atualmente, há uma campanha nacional que luta contra o “extermínio de jovens”, que poderia ser descrito como “juvenicídio”. Temos a violência da fome, que mata milhares de crianças e, no nosso entendimento, é camuflada por “estabilidade econômica”, enquanto o roubo das riquezas naturais dos países do sul continua e é chamado desenvolvimento.
Capítulo 1: Configuração da violência: Examina as raízes históricas e estruturais da violência no Brasil, situando-a dentro do legado colonial e do sistema capitalista.
Capítulo 2: Sistematização de narrativas de dor: Apresenta os depoimentos das mães sobre os impactos diretos da violência, incluindo a atuação policial e a falta de justiça.
Capítulo 3: Elementos para uma Teologia da Esperança contextualizada: Desenvolve bases teológicas para compreender o sofrimento a partir da memória, da realidade e da utopia cristã.
Capítulo 4: Trabalhar o luto, caminhar na esperança: Proõe estratégias pastorais concretas, enfatizando a escuta empática e a ritualização da perda como ferramentas de resiliência.
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O livro aborda a complexa realidade da violência urbana em Salvador, analisando como essa problemática afeta profundamente a vida de mães que perderam seus filhos vítimas de assassinato.
Os temas centrais incluem a estrutura histórica da violência, o impacto do narcotráfico, a violência policial, a ausência de justiça, a importância da memória para as vítimas e a necessidade de uma pastoral de acolhimento.
O objetivo é compreender como a esperança cristã pode ser resgatada e fortalecida em mulheres que sofreram perdas irreparáveis, servindo como base para uma ação pastoral concreta e solidária.
A pesquisa utiliza uma abordagem interdisciplinar e qualitativa, baseando-se em entrevistas semi-estruturadas com mulheres, bispos e agentes pastorais, além de fundamentação teológica e sociológica.
O livro divide-se em quatro capítulos que abrangem desde a configuração estrutural da violência, passando pelos depoimentos das mães, chegando à fundamentação de uma Teologia da Esperança e, por fim, propostas para uma pastoral de consolação.
Os conceitos principais incluem: esperança, memória, escuta empática, justiça, resiliência, teologia da libertação, luta pela cidadania e a "mãe órfã" como protagonista.
Através da articulação comunitária, da educação voltada para a cidadania, do suporte psicológico e social, e de uma postura missionária que não ignora a realidade, mas a enfrenta com fé e resistência pacífica.
A Igreja deve ser uma comunidade de acolhimento e esperança, agindo ativamente na defesa da vida e na escuta das vítimas, ultrapassando rituais burocráticos para tocar a dor real das pessoas.
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