Doktorarbeit / Dissertation, 2001
238 Seiten, Note: 10,0
INTRODUÇÃO 9
Primeira Parte - A CRÍTICA 18
Capítulo I - Entre o histórico e o transcendental 19
1. O kantismo de Foucault 19
1.1. O “sono antropológico” 23
1.2. Crítica e modernidade 26
2. Os quatro conceitos críticos fundamentais 32
2.1. Descontinuidade 34
2.2. Acontecimento 39
2.3. A priori histórico 44
2.4. Epistéme 47
Capítulo II - A crítica arqueológica da modernidade 52
1. A ruptura da modernidade: 1775-1825 52
1.1. Economia: Ricardo e Marx. 58
1.2. Biologia: Cuvier 59
1.3. Filologia: uma história nova 60
2. A analítica da finitude 63
3. O retorno do ser da linguagem 68
Capítulo III - Arqueologia e Estruturalismo 76
1. Foucault, o estruturalismo e as ciências humanas 76
2. O formalismo arqueológico em questão 82
Segunda Parte - O MÉTODO ARQUEOLÓGICO 90
Capítulo IV - Gênese da Arqueologia do Saber 91
1. Arqueologia e discurso histórico 91
2. À procura de uma teoria geral do discurso 102
Capítulo V - A sistematização do Método Arqueológico 109
1. A lógica do discurso 109
2. A suspensão das unidades discursivas 112
3. A reconstrução das unidades discursivas 117
4. As quatro funções discursivas 121
4.1. A formação dos objetos 122
4.2. A formação das modalidades enunciativas 123
4.3. A formação dos conceitos 123
4.4. A formação das estratégias 124
5. A teoria do enunciado 126
6. O dilema metodológico da Arqueologia 135
7. Uma lógica atonal 139
Capítulo VI - Da Arqueologia à Genealogia 142
1. Pensamento estrutural e pensamento serial 142
2. A função estratégica do discurso 149
3. Genealogia e história 152
4. O impasse metodológico da Arqueologia 158
Terceira Parte - AS PRÁTICAS 160
Capítulo VII - A Genealogia do poder 161
1. Do discurso ao poder 161
2. Repressão e resistência 163
3. A crítica da verdade 168
Capítulo VIII - Os sistemas punitivos 173
1. O desaparecimento do suplício 173
2. O espetáculo da punição 174
3. A reforma e a semiotécnica das punições 176
4. As lettres de cachet como prática punitiva 183
5. O modelo anglo-americano de punição 186
Capítulo IX - A anatomia política do corpo 188
1. O corpo como objeto do poder 188
2. O corpo e os dispositivos: uma máquina topológica 192
3. O corpo e as disciplinas 194
4. O corpo e a norma 196
5. Análise das quatro funções disciplinares 198
6. A Norma e a lógica do enunciado: a semiótica do poder 206
Capítulo X - A Biopolítica 211
1. O dispositivo sexual 211
2. A genealogia da "guerra das raças" 216
O livro tem como objetivo principal realizar uma análise estrutural e cronológica da obra de Michel Foucault, buscando identificar a lógica interna de seu pensamento e a trajetória das metamorfoses de sua crítica. A questão central que perpassa a pesquisa é como Foucault reformula a tarefa do pensamento, movendo-se da arqueologia para a genealogia, e como ele reavalia o legado da modernidade através de um "historicismo crítico".
A crítica arqueológica da modernidade
Sobre o brusco corte epistemológico que inaugura a modernidade, na passagem do século XVIII para o século XIX, analisado nas Palavras e as coisas, podemos dizer que ao menos uma parte da geração estruturalista acreditou que ele estava para ser superado, que um progresso para algo totalmente diferente era iminente. Vemos com clareza essa temática do "pensamento do futuro", por exemplo, num filósofo como Kostas Axelos, que tentou fazer a união entre Marx, como pensador da técnica e Heidegger, como profeta do "pensamento do futuro".70 Eles acreditavam que as estruturas puras do pensamento estavam tomando o lugar do pensamento da finitude humana, tornando possível um verdadeiro retorno às fontes originárias do ser. Foucault não ficou imune à febre estruturalista típica daqueles anos e afirmou numa entrevista de 1967:
“Desta idade moderna que começa entre 1795-1810 e vai até 1950, trata-se de se desprender, enquanto que para a idade clássica, trata-se apenas de descrevê-la”.71 Na estrutura das Palavras e as coisas, temos três epistémes, que se definem por oposição umas às outras. A idade clássica pode ser definida por oposição ao século XVI de um lado (Renascença) e, de outro lado, por oposição ao século XIX (Modernidade). Já a modernidade se opõe, por um lado, ao século XVII (pois ao séc. XVIII já pertence o corte da modernidade) e, por outro lado, a nós, à atualidade. No acontecimento em que estamos inseridos, desde 1950 - ou seja, na transformação discursiva que se identifica com o advento do pensamento estrutural - se trataria de consolidar a ruptura, de nos distanciar definitivamente do pensamento da idade moderna, que se confunde com a instauração de uma analítica da finitude, ou seja, se confunde com o pensamento humanista.
INTRODUÇÃO: Apresenta o objetivo de realizar uma análise estrutural e cronológica da obra de Foucault, destacando os deslocamentos fundamentais na crítica, método e práticas.
Primeira Parte - A CRÍTICA: Analisa a relação de Foucault com a herança kantiana e a modernidade, examinando conceitos como descontinuidade, acontecimento e a priori histórico.
Capítulo I - Entre o histórico e o transcendental: Investiga o "kantismo de Foucault" e como a crítica da modernidade se amplia para uma avaliação da herança da subjetividade.
Capítulo II - A crítica arqueológica da modernidade: Explora a ruptura na modernidade entre 1775-1825 e a emergência das ciências humanas e da analítica da finitude.
Capítulo III - Arqueologia e Estruturalismo: Discute as relações de Foucault com o estruturalismo, marcando seu distanciamento crítico em relação à hegemonia semiológica.
Segunda Parte - O MÉTODO ARQUEOLÓGICO: Foca na sistematização do método arqueológico, a lógica do discurso e a teoria das funções discursivas.
Capítulo IV - Gênese da Arqueologia do Saber: Aborda a intenção de Foucault de criar uma arqueologia da história e as influências da epistemologia francesa.
Capítulo V - A sistematização do Método Arqueológico: Detalha a lógica do discurso, a suspensão de unidades tradicionais e a teoria do enunciado.
Capítulo VI - Da Arqueologia à Genealogia: Analisa a transição do pensamento estrutural para o pensamento serial e a emergência da genealogia como método.
Terceira Parte - AS PRÁTICAS: Examina como Foucault articula poder, corpo e normas, movendo-se para uma análise das práticas de dominação.
Capítulo VII - A Genealogia do poder: Trata da reorientação do pensamento de Foucault para as questões de poder, dominação e a "política da verdade".
Capítulo VIII - Os sistemas punitivos: Examina a transição do suplício espetacular para a norma corretiva e o surgimento da prisão moderna.
Capítulo IX - A anatomia política do corpo: Investiga as tecnologias de poder disciplinar e a constituição do corpo como objeto de saber e poder.
Capítulo X - A Biopolítica: Conclui analisando o dispositivo sexual e a genealogia do racismo de Estado como estratégias de biopoder.
Foucault, Arqueologia, Genealogia, Modernidade, Poder, Saber, Discurso, Sujeito, Epistéme, Biopolítica, Normalização, Disciplina, Kantismo, Estruturalismo, Historicidade.
Este trabalho consiste em uma análise estrutural e cronológica da obra de Michel Foucault, mapeando a evolução de seus conceitos e sua transição entre os métodos arqueológico e genealógico.
Os temas centrais incluem a história do pensamento, a relação entre saber e poder, a constituição histórica dos sujeitos, as práticas punitivas, a sexualidade e a crítica à modernidade.
O objetivo é mostrar a coerência interna do pensamento de Foucault através de três instâncias: uma nova concepção da crítica, uma nova concepção do método e uma nova concepção das práticas.
O autor utiliza a análise arqueológica e genealógica, que se distanciam das metodologias historiográficas tradicionais para descrever discursos como "monumentos" e "práticas discursivas".
O livro divide-se em uma análise da crítica (primeira parte), uma sistematização do método arqueológico (segunda parte) e uma investigação das práticas e da genealogia do poder (terceira parte).
As palavras-chave incluem Foucault, Arqueologia, Genealogia, Poder, Discurso, Biopolítica e Epistéme.
Foucault reinterpreta o kantismo não como um sistema doutrinário, mas como uma atitude crítica e um ethos filosófico de questionamento contínuo dos limites do nosso ser histórico.
É um instrumento metodológico que permite superar a teoria do reflexo e o estruturalismo fechado, aceitando a fragmentação e a contingência dos acontecimentos históricos sem buscar uma totalização unificadora.
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